Em tempos de desafios profissionais tão intensos e pessoas excessivamente cansadas, surge discussões infindáveis sobre NR1. Confesso que como profissional de RH peguei um certo “bode” deste tema .
Mas nesta manhã tranquila pensei que poderia dividir este sentimento com vocês, que acredito que compartilham de “bode” semelhante.
Vejo que o desafio deste tempo tem sido lidar com temas humanos tão profundos de forma tão superficial, a NR1 é apenas uma norma direcionadora de ações e passa a ser discutida como uma obrigação a ser cumprida ( tudo bem , ela terá mesmo !); mas ai vai minha pergunta : “ Será que transtornos mentais podem ser claramente definidos ?” – Sabemos que não…, os próprios médicos psiquiatras precisam de tempo e protocolos para entender a forma, o contexto na qual a pessoa está inserida. Assim parece fazer mais sentido para mim, quando eu deixo de pensar em recursos que a empresa dispõe para apoiar o colaborador “adoecido” e passar a pensar em : “O que nesta empresa é preciso mudar🤔, para que as pessoas possam ser elas mesmas ?” Brené Brown já afirmava que precisamos nos mostrar vulneráveis , para que possamos nos sentir inteiros e também sermos empáticos com o outro.
Portanto, mapear riscos psicossociais refletirá muito mais a cultura tóxica, as lideranças sobrecarregadas e despreparadas, as desmotivações pessoais e os times disfuncionais, do que quais pessoas estão mais perto ou mais distante de um burnout, de depressão ou ansiedade generalizada. Falar de governança psicoemocional , assim como falamos de resultados financeiros para sustentabilidade da empresa, é urgente, e talvez a NR1 seja a possibilidade de repensar a cultura da empresa.🤔
Texto de Ana Maria Gimenez Cafarelli